03 ago 2018

Necessidade de Capital de Giro: Aprenda como calcular a da sua empresa

leitura de 12 min
Necessidade de Capital de Giro: Aprenda como calcular a da sua empresa

A Necessidade de Capital de Giro é um dos principais conceitos que todo empreendedor que quer garantir o sucesso da empresa precisa conhecer. Isso porque, esquecer-se do capital de giro é um erro comum dos empresários de primeira viagem. Eles calculam todas as despesas e receitas antes de abrir o negócio, mas pecam ao ignorar que precisarão manter algum dinheiro em caixa para as contas de curto prazo.

No artigo de hoje, vamos falar sobre por que calcular a necessidade de capital de giro é tão importante para sustentar as atividades da empresa. Aprenda como calcular e melhore a sua gestão financeira

O que é capital de giro?

Para começar, é fundamental entender que a importância do capital de giro está atrelada às operações diárias das organizações, pois é ele quem financia todas as atividades empresariais.

Trata-se de todos os bens que podem ser convertidos em dinheiro a curto prazo — saldo em caixa e a receber, estoque e investimentos financeiros — para arcar com os custos operacionais. Em suma, é aquele recurso que oferece liquidez à empresa.

No decorrer de um ano, uma empresa movimenta recursos para gerar resultados (o lucro). Dessa forma, esse processo começa na aquisição de matéria-prima e termina com o recebimento da venda feita ao cliente.

Assim, o empreendedor aplica dinheiro nas operações para obter o retorno do investimento somado ao lucro, o que só se concretizará quando o consumidor efetivamente pagar pela compra.

Cada ciclo desses é um giro e o capital de giro é o dinheiro que viabiliza todas as operações da empresa.

Qual é a importância do capital de giro para o seu negócio?

O capital de giro diz muito mais sobre a sua empresa do que você imagina. Entender como ele se comporta ao longo do ciclo financeiro é fundamental para controlar o orçamento, prever situações de risco e aumentar a eficiência empresarial.

Confira 5 contribuições do capital de giro que auxiliam na gestão da sua empresa!

1. Aprimora o controle financeiro e gerencial

Conhecer a rotina empresarial e sua necessidade financeira é fundamental para a gestão do negócio. Até aí, nenhuma novidade, certo? Para aprimorar o controle gerencial é preciso compreender o capital de giro o mais detalhadamente possível.

Isso porque é ele quem sinaliza de quanto a empresa precisa para manter suas operações em funcionamento — o que requer o entendimento de todos os processos produtivos, desde a aquisição de matéria-prima até o recebimento do valor das vendas.

O gestor, portanto, precisa observar e acompanhar prazos e valores para se antecipar a qualquer necessidade de capital. Identificar a origem da falta de dinheiro nas operações também é outra métrica importante e que pode estar ligada a vários fatores, inclusive positivos, como quando há falta de recursos porque foi feito um investimento maior na empresa.

Por outro lado, pode apontar para descolamento de prazos ou recursos que estão parados e que deveriam estar movimentando o caixa, o que acontece, por exemplo, quando produtos ficam encalhados no estoque.

Em todos os casos, conhecer o comportamento do capital de giro levará o empreendedor a verificar todos seus processos e a tomar decisões para aprimorá-los, seja estimulando a circulação do estoque, aumentando o prazo de pagamento aos fornecedores ou estimulando compras à vista, para citar apenas algumas das medidas adotadas em decorrência da observação do capital de giro.

2. Indica riscos ao negócio

Como foi demonstrado, o capital de giro é uma forma prática de mensurar a eficiência empresarial. E se ele for analisado em conjunto com avaliações de risco, torna-se um instrumento estratégico para a administração da empresa.

O gerenciamento de risco operacional e financeiro é imprescindível para as empresas (não só as de grande porte, mas as médias e pequenas também), pois pode levar a prejuízos diversos, não só financeiros, mas também de imagem ou jurídicos, por exemplo.

A análise de risco considera, portanto, o fluxo de caixa, que tem o capital de giro como seu principal elemento. O objetivo é acompanhar o desenvolvimento do orçamento para prever possíveis vulnerabilidades. Dessa forma, é possível se antecipar a elas.

É fácil visualizar a relação entre capital de giro e risco quando observamos a questão da inadimplência. Toda companhia faz essa análise. Para saber até que ponto é possível assumir o risco de inadimplência é preciso conhecer bem o fluxo de caixa.

Assim, os gestores conseguem determinar metas a serem observadas para que o orçamento da empresa não seja prejudicado, já que em caso de ausência de pagamentos é o capital de curto prazo (giro) que será impactado, podendo gerar dificuldade de continuidade das operações se não for possível financiá-las.

3. Garante previsibilidade à empresa

Como pequeno empreendedor, você sabe que conseguir arcar com seus compromissos financeiros é essencial para assegurar o equilíbrio das finanças do seu negócio, pois uma empresa endividada não consegue crescer e acaba perdendo a credibilidade no mercado.

Aliás, em caso de risco ao negócio, o pequeno empreendimento é ainda mais impactado por eles do que as grandes companhias. Portanto, o foco com as finanças deve ser ainda maior.

O capital de giro é utilizado para pagar as contas de curto prazo e manter o caixa sempre no azul. Assim, é possível assegurar a saúde financeira e planejar melhor o futuro. Verificar o fôlego da empresa para dar conta de suas operações e obrigações com base no caixa vai evitar problemas no curto e no médio prazo.

4. Dá segurança diante de imprevistos

A atividade empresarial é permeada de desafios e imprevistos. Não é novidade que as oscilações do mercado afetam diretamente a rentabilidade da empresa e, nesse aspecto, a existência do capital de giro pode contribuir para a superação de tais dificuldades.

O capital de giro é um recurso que assegura liquidez à organização. Dessa forma, pode ser convertido em dinheiro sempre que necessário. Por isso, é importante que o capital nunca esteja 100% comprometido. Permitir alguma folga, que garanta uma reserva em caso de necessidade extraordinária, vai facilitar a gestão financeira, sem prejudicar processos operacionais.

5. Auxilia na expansão da empresa

Para se obter sucesso no mundo corporativo é preciso estar atento e preparado para as oportunidades que surgem ao longo do tempo, principalmente aquelas que são inesperadas. Ao ter esse recurso disponível, o seu empreendimento está dando um passo à frente da concorrência.

Com ele é possível investir, apostar em melhorias de estrutura, comprar outras empresas e abrir filiais em locais onde a demanda é alta. Ou seja, a importância do capital de giro para a expansão do negócio é enorme.

Outro ponto importante é que, tendo um bom capital de giro aplicado nas operações, é possível segregar os recursos de curto prazo do que será necessário para investimentos de longo prazo e em volume financeiro maior.

Quando uma empresa investe em expansão dos negócios, pode buscar investidores que observarão as oportunidades de mercado que os empreendedores querem alcançar. Portanto, esse é um empréstimo que será usado para alçar voos maiores. Afinal de contas, a empresa não pode e nem deve ficar estagnada.

Isso torna o investimento com capital de terceiros mais vantajoso do que o investimento com capital próprio. Isso porque os juros do financiamento, diante das metas traçadas, tende a ser menor e será compensado com o retorno da aplicação nos negócios.

O capital de giro supre a necessidade de financiamento, já que em períodos de expansão a tendência é que ele fique reduzido em função dos investimentos que estão sendo feitos. O resultado, nesse cenário, é a dificuldade em dar conta das operações e ao mesmo tempo da expansão.

O que é a necessidade de capital de giro?

O conceito de capital de giro já é bastante abordado, ainda que muitas vezes de maneira genérica. Podemos defini-lo como o caixa necessário ao pagamento das transações de curto prazo da empresa. Dentre elas, os fornecedores, funcionários, aluguéis etc.

Sabemos que ter uma boa reserva para capital de giro é fundamental para garantir o crescimento da empresa. Sem dinheiro em caixa, a empresa enfrentará dificuldades para expandir as vendas.

Nesse sentido, a Necessidade de Capital de Giro, também chamada de NCG, é a “medida” usada para quantificar o capital de giro mínimo sob o qual uma empresa consegue funcionar. Além de informar quanto dinheiro é necessário ter em caixa, a NCG serve como um indicador de performance da política de prazos da companhia.

Como calcular a necessidade de capital de giro?

A necessidade de capital de giro pode ser dada em duas unidades, tempo e moeda. Em tempo, ela demonstra a quantidade de dias em que a empresa se encontra em déficit ou superávit operacional. Já em moeda, ela representa a quantidade de dinheiro que está sobrando ou faltando em caixa a cada novo ciclo financeiro.

Calculando a Necessidade de Capital de Giro (NCG) em tempo:

Imagine que João tenha uma pizzaria e compre os insumos em um atacadista pagando 50% à vista e 50% em 30 dias. Contudo, 70% dos seus clientes pagam com cartão de crédito e o dinheiro só cai na conta 30 dias após a venda. Além do mais, as mercadorias ficam em média três dias no estoque até que sejam transformadas em pizzas e vendidas. Assim, os prazos médios de pagamento, recebimento e estocagem de João são:

  • Prazo de pagamento – PMP: (50% x 0 dias) + (50% x 30 dias) = 0,5 x 0 + 0,5 x 30 = 15 dias
  • Prazo de recebimento – PMR: (30% x 0 dias) + (70% x 30 dias) = 0,3 x 0 + 0,7 x 30 = 21 dias
  • Prazo de estocagem – PME: 3 dias

A necessidade de capital de giro (NCG) é a diferença entre o prazo de recebimento e o prazo de pagamento somada ao prazo de estocagem. No caso de João é de 21 – 15 + 3= 9 dias. Ou seja, João precisa ter um caixa equivalente a 9 dias de operação para que sua pizzaria possa funcionar.

Calculando a Necessidade de Capital de Giro (NCG) em moeda:

A outra maneira de calcular a necessidade de capital de giro da empresa é utilizando o seu balanço patrimonial. Neste caso, a NCG será a diferença entre o ativo circulante operacional e o passivo circulante operacional. Vamos lembrar o que eles são:

  • Ativo Circulante Operacional – Soma de todos os recebíveis de curto prazo (duplicatas, cheques, vendas no cartão e etc.) e estoques.
  • Passivo Circulante Operacional – Soma de todas as obrigações de curto prazo da empresa, como salários, pagamentos a fornecedores, impostos, aluguéis e etc.

A necessidade de capital de giro será dada pela fórmula: NCG = ACO – PCO.

Para entender melhor, vamos voltar ao caso da pizzaria do João. Se, ao avaliar o balancete do mês, ele percebe que há em média R$30 mil a receber e R$45 mil a pagar, ele terá uma NCG de R$15 mil reais negativos. Assim, precisa ter exatamente R$15 mil em caixa para que o negócio funcione sob as condições atuais.

A situação ideal do capital de giro

Quando o passivo circulante operacional é maior que o ativo circulante operacional, temos o fenômeno conhecido como NCG negativa. Neste caso, o empreendedor precisa manter dinheiro em caixa para cobrir a diferença entre os pagamentos e recebimentos.

No entanto, quando ocorre o contrário e os recebimentos superam os pagamentos, temos o fenômeno chamado de NCG positiva. 

Um exemplo de NCG positiva ocorre com alguns dos grandes varejistas do mercado mundial. São tão poderosos, que conseguem impor o prazo de pagamento desejado, sem que o fornecedor possa se dar ao luxo de recusar a proposta.

Ajustando a necessidade de capital de giro

Ajustar a NCG exige dois tipos de habilidades. A primeira é saber interpretar bem o ciclo financeiro da empresa e programar os pagamentos para as melhores datas. A segunda, por sua vez, é a habilidade de negociação com clientes e fornecedores, de forma a alongar os prazos de pagamento e encurtar os de recebimento. Assim, eliminado a necessidade de se injetar dinheiro no caixa da empresa.

E se não for possível trabalhar com NCG positiva?

Caso sua empresa não esteja em uma posição de mercado que a possibilite impor os prazos aos clientes e fornecedores, o ideal é reduzir ao máximo possível a NCG e conseguir um parceiro estratégico que lhe forneça este capital de giro de forma simples, rápida e barata.

As melhores opções atualmente vêm de fintechs como a BizCapital. Através de um modelo de negócios simples e prático, sua empresa pode obter o capital de giro necessário. Sempre com taxas mais atrativas que as dos bancos tradicionais e menos burocracia.

Saber calcular a necessidade de capital de giro e alinhá-la à capacidade de pagamento e financiamento da empresa é um dos desafios que acabam separando as empresas que prosseguem com sua expansão daquelas que acabam ficando pelo caminho.

De nada adianta ter um produto inovador, um atendimento excelente e um modelo de negócios fantástico, se não houver dinheiro em caixa para financiar a operação. Por isso, fique atento a este indicador.

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